5.3.14

A insônia é o deserto do tempo.
A verdade é autogerida. Não precisamos de ideologia.

21.2.14

Solidão é tornar-se transparente.
Tirei todo um peso da cabeça. Passei a máquina no três.
.a dor é o encontro entre a metafísica e a estética
a dor é um mecanismo de comunicação interna do corpo. o que, então, a tristeza comunica?

13.2.14

.perder o olhar no inatingível das nuvens nos despertava a esperança de que não estaríamos sós. um dia fomos até elas. não eram sólidas. se desfiavam em torno de nós. e com elas o sonho.  o Saber é assassino. desmistifica o mito mas não o depara. mata-o. penso se não preferiria o não-Saber ao Saber. Uma sociedade construída com base no não-Saber. Nela só haveria espaço para a não-certeza, que levaria à não-arrogância e, por isso, para a não-vaidade. as nuvens estariam vivas para criar formas e inspirar mistérios. tal sociedade existe, mas apenas às crianças pequenas são permitidas a entrada.
.estar vivo é aterrorizante. é preciso assumir isso

12.2.14


.estar vivo é o fato que nunca deixa de me surpreender. sempre vem uma interjeição quando me reconheço acordado do sono do Nada
.cada palavra é uma divindade
.as palavras tem vida útil. arremesse-as demais e elas, aos poucos, se dessignificam
.as palavras merecem cuidado. fácil, fácil, elas encerram em si mesmas tudo o que está próximo. muitas juntas formam uma definição. e então, o que resta para o leitor?

.não gosto de gastar as palavras
.só escrevo, para desmaterializar um sentimento. nunca funciona
quando o suicídio espreita, o escape é literálrio.

7.9.11

algumas pessoas me ensinaram que eu precisava sorrir menos. estou trabalhando nisso. entretanto, aprendi que nem sempre nos ensinam uma coisa boa.

21.7.10

A revolução copernicana no amor: ama-se o que o amante mesmo põe no amado.

15.7.10

A solidão é a companhia que vem quando não tem ninguém por perto.

14.7.10

O da solidão pode não ser o maior de todos os medos, mas se segue ao medo de qualquer coisa.

13.7.10

Sobre as doenças psicossomáticas: efetivam uma síntese entre corpo e alma.

12.6.10

Não aconselho ninguém a envelhecer. Mas só há essa maneira de viver muito.
Do meu avô, depois de uma comprovação empírica da estatística que versa sobre as habituais quedas em gente idosa.

18.5.10

Solidão é o silêncio dos sentidos.

17.5.10

Da sensibilidade como fundamento da razão: o chão firme em que nós pisamos não é tocado pelo pensar, mas pelo sentir.

8.5.10

O sono é um piscar de olhos que dura cerca de oito horas.
Pseudo-tautologia político-existencial:
ao compartilharmos a prisão neste espaço-tempo, nos resta apenas compartilharmos a prisão neste espaço-tempo.
Se considerarmos o ser humano como a natureza capaz de se reconhecer no espelho, geramos uma pergunta: porque a natureza criou as condições para a sua própria auto-destruição?
A verdade manifesta-se menos no falar do que no silenciar.

28.4.10

O relógio de corda é como o ser humano: na sua finitude ele aponta ao infinito.

21.4.10

O sono é o descanso da companhia de si mesmo.
O relógio revela o mais antigo desejo do homem de controle do tempo.

20.4.10

Sobre o sono [ou a falta dele] na infância:

Quando criança, o relógio era imagem muito mais carregada de significado. À noite, por exemplo, era a bússola que indicava a direção do tempo percorrido. Seus ponteiros indicavam não as horas, mas a distância restante. O tempo, entretanto, já naquele tempo era relativo: no sono, a noite é apenas uma; na vigília, é um despedace composto de minutos parados:

23:00. Era tarde. Me cobria com o lençol na esperança de me proteger contra o desconhecido que mora na falta de luz.
00:00. O medo do sono não visitar.
00:30. A última brincadeira na rua, os garis que riam alto ao se insultar enquanto recolhiam o lixo. Um dia brinco com eles.
01:00. A mais magnífica quietude.
01:05. Constatação de que a noite ainda duraria uns dois ou três infinitos.
01:15. Troco pela enésima vez o lado sob o qual estou deitado. Sinto as costas suadas.
03:15. Só se passaram duas horas..
04:00. O pesadelo quase no fim.
05:00. Ainda escuro, mas, daqui a pouco, o anúncio salvador dos pardais.
05:10. A qualquer momento agora...
[cinco minutos se passam e...] o primeiro a despertar se manifesta com um pio que reverbera no isolamento. Sem resposta, insiste mais uma vez.
e mais outra.
e mais outra.
e mais ou... um outro acorda. Alívio. Para mim e para ele. A resposta traz a certeza de que ambos não estamos sozinhos.
Me sinto feliz. Atravessei o deserto do tempo.
Do outro lado da última duna, o sono espera pra me levar pra casa.

11.4.10

o medo do escuro pode revelar belezas das mais sublimes.

8.4.10

respostas possíveis para questões orkutianas:

paixões: ainda não decidi se são via ou desvio para a felicidade.

esportes: em um estado esquizofrênico, produzem os modelos de vida a serem seguidos.

atividades: em tempos de capital, neg[am o]ócio.

livros: são feitos de papel, tinta, cola e infinitos preconceitos.

música: sobre ela, um anúncio de jornal: 'vendemos momentos sortidos: fúria, libertação, transcendência, sublimação, chifre, paixão, melancolia, alienação, alegria; importamos o produto que não estiver em nosso acervo sem nenhum custo adicional'.

programas de tv: enfraqueceram o passeio na praça, o conhece-te a ti mesmo e a taxa de natalidade.

filmes: uma sequência de fotos que prova que aristóteles tinha razão: o tempo é a determinação do movimento.


a frase anterior expressa a defesa mais fundamental pelo copyleft.
"as ideias pertencem a quem as compreende"
[autoria da frase: alguém que a compreendeu]

1.4.10

da poiésis entre as quatro paredes do museu que é mausoléu, concluimos o contrário: a vida irrita a arte.

21.3.10

A obra des cartes na época de sua reprodutibilidade técnica:
- sento, logo, assisto.
não ver o outro é não ter imagem no espelho

15.2.10

Tô me guardando pra quando o carnaval passar

16.12.09

estou convencido que o dedão que quebrava dos bonecos comandos em ação impedindo que o mesmo segurasse um fuzil de plástico era, na verdade, um protesto silencioso contra o porte de armas.
só a música leva ao conhecimento ontológico.












[só]u









15.7.09

A expressão "há milênios de distância" prova sem a necessidade da argumentação de Einstein referente à relatividade geral que o espaço e o tempo são duas faces da mesma moeda. Uma moeda que dobra em si mesma.

15.2.08

eu sou um borrão.
mas um borrão bem mal feito.
pronto para ser apagado e começar denovo.
e ser apagado denovo para começar denovodenovo.
e ser apagado denovodenovo para começar denovodenovodenovo.
e ser (...).

12.12.07

Em defesa do Homem Comum.

Pascal diz que temos de medir o homem não pelo que ele faz de extraordinário, mas pelo que ele faz de comum. De fato, o ordinário é que faz o cotidiano, enquanto que o extra- é a exceção, só acontece uma vez aqui, outra acolá. Extraordinário é quem comete um só ato surpreendente. Comum é o ato que, pela insistência, pode se tornar extraordinário. O Comum tem pouca força se for feito apenas uma vez. Mas existindo só uma vez, ele também não pode ser comum. Pra ser comum, ele precisa ser repetido no cotidiano. Do contrário não seria comum, mas único. E é desse caráter de ser comum, de ser repetido, insistente, que ele extrai sua potência. É por isso que o comum tem mais valor do que o solitário ato extraordinário. Este, tem mais visibilidade do que os outros atos, mas perece em meio a sua vaidade de ser único. É preciso perguntar: o ato extraordinário é feito por outra intenção a não ser a de buscar ser ele próprio extraordinário? Se alguém tem a intenção de executar um ato extraordinário esse alguém parece estar mais preocupado com a satisfação de sua pura vaidade do que com as implicacoes éticas ou sociais que seu ato irá ocasionar. O homem comum transforma o ordinário em extraordinário ao longo de uma vida inteira. O próprio ato extraordinário é fruto de incontáveis, pequenos e invisíveis atos comuns, que o prepararam ao longo de insistentes anos. O extraordinário nao vem de um dia pro outro, nao é acaso. Ou seja, não é por acaso que extraordinário é o homem comum.

11.7.07

Somos a natureza que toma consciência da existência dela própria.

27.5.07

Ontem. Meu dia mundial de fechar os olhos.

4.5.07

Se a linguagem verbal não dá conta de toda a latência de expressividade do indivíduo, temos que deixar de conversa e ir logo fazer amor.

14.4.07

.o sentido da vida é sentimento, não pensamento.
Senão a expressão seria pensado da vida, não sentido da vida.

19.2.07

O outro sou eu? Eu sou o outro. O outro tem o meu nome. Tem os meus pais. Tem minha família e meus amigos. O outro tem minha casa, minha comida e minha roupa lavada. Tem os meus clichês também. Tem tudo que eu tenho. Minha experiência e minha existência. Minhas dores. O outro tem. O outro é. O outro é ter ou o outro é ser? A pergunta fundamental da (co)existência. Eu tenho o outro? Ou eu sou o outro?

6.11.06

tenho de ser água mole, mas a pedra é dura pra cacete.

21.10.06

.entrego à música, a remissão dos pecados

20.10.06

A lágrima seca não foge do olho. É presa. "Liberta-me!" grita ela. Mas no vácuo. Não a percebem. Nem mesmo as do olho ao lado, "companheiras de categoria!". "Bah, maldito discurso panfletário", ela resmunga pra si. "Esse companheirismo é via de mão única!". "Opa, mas peraí", pára ela de sopetão... Ela não é exatamente só. As outras compartilham com ela não somente a prisão neste espaço-tempo, mas também essa estranha dor imanente a ele.
queria poder ser tragado para o limbo da música que me livra da morte. ficar lá. só isso. ficar e sentir. e sorrir.

19.8.05

sobre o outro (ou a falta dele).

[]deixou a taquicardia irrompida, o vazio inexprimível, o grito surdo e a felicidade reminiscente. levou o beijo e o sorriso com ela.

[]o barulho do trem às onze e vinte, as vozes dos garis no caminhão à meia noite, e o apito do guardinha à noite inteira apaziguavam o medo do escuro e preparavam um sono tranquilo.

[]eu tenho medo de ler gabriel garcia márquez porque temo chegar aos cem anos de solidão.

9.5.05

umagotadeorvalhoeravidrosequedouvivendoum d e s p e d a c e eocoraçãocoagulou.

7.5.05

o amor é a única coisa que dá sentido a essa vida. e ele não faz o menor sentido.

16.12.04

.o herói se foi
deu um tempo nos sonhos. só pra ter certeza que o seu lugar não é aqui.

19.10.04

eu não saio dessa só

14.10.04

..algumas coisas que me valeram o dia nesses últimos dias:

.vestir umas meias especiais no meu avô como ninguém e, a cada bem-sucedida troca, ser tremendamente reconhecido por isso.

.beijar de surpresa a mão de uma pessoinha muito amada e poder ver um sorriso lindo e espantado se construir lenta e espontaneamente como reação.

.ter a quem acordar de madrugada depois de um assalto para ouvir atentamente mil palavras sujas de um desabafo inflamado e imaturo. por mais de duas horas.

.encontrar uma amiga do nada, passar o dia com ela, caminhando e papeando compulsivamente, e ainda ter achado que não deu tempo pra falar de tudo. e perder uma consulta no médico por isso.

13.10.04

a publicidade é um instigante jogo barato do qual eu não queria participar
.juntei meus caquinhos. mas ainda não os colei direito
.não há chão. só mãos
faltam 79 dias

12.10.04

................) praticamente. Praticamente? (.................

22.9.04

nestes últimos dias compreendi todas as letras de música que falam de amor

21.9.04

.e lembrou que ele queria ser gari. pra poder brincar tarde da noite na rua, aventurar-se por lugares desconhecidos e sombrios, e correr e pular do caminhão de lixo em movimento

2.9.04

.nunca bebi, nunca fumei, nunca usei seringa, nunca cheirei pó, nunca dancei de verdade, nunca brinquei carnaval, nunca fiquei só por ficar, nunca me fantasiei, nunca pintei a cara no jardim de infância, nunca joguei futebol, nunca viajei pra longe, nunca ganhei muita grana, nunca me entreguei a religião, nunca andei grandes distâncias, nunca li muitos livros, nunca passei necessidade, nunca abracei meu irmão, nunca odiei de verdade e já feriram meu ego, já o massagearam, já pratiquei kung-fu, nunca usei contra ninguém (não é totalmente verdade), já chorei ouvindo música, já falei com o sol, já falei com a lua, já falei com o mar e com uma estrela que eu achava q era meu pai que me olhava de tanto que eu queria que fosse, já me arranhei com um cachorro numa duna gigante, já ouvi uma história sobre um cara que foi atropelado por um anão fantasiado de bailarina numa bicicleta, acreditei, já amei de verdade, já sofri de verdade, já senti dor de acordar no meio da noite e de me meter nos sonhos alheios, já olhei perdido por alguns instantes, infinitos, já diverti alguns, já ri de muitos, já me acabei de rir de poucos, já sorri, mas de muito, muito poucos, já venci muitos medos, já ganhei um festival, já ouvi, mas sem intermédios: violino, gaita, bateria, baixo, guitarra, piano, kalymba, atabaque, berimbau, violoncelo, viola, saxofone, rabeca, pífano, flauta, acordeom, cavaquinho, triângulo, kazoo, cravo, canto, bandolim, cuíca de madeira, teclado de brinquedo, estante do computador e puff da sala, já experimentei: violino, gaita, bateria, baixo, guitarra, piano, kalymba, cavaquinho, triângulo, kazoo, bandolim, cuíca de madeira, teclado de brinquedo, estante do computador, puff da sala e corda da rede, já sofri ameaça, não liguei, já defendi, já protegi, já aconselhei, já desaconselhei, já perdi o controle, já restabeleci, já vivi, ou ainda não? Acho que ainda não, mas já entendi o que é o tango

30.7.04

impressões sobre uma sexta-feira violenta.

[]deixaram o ego inflamado, a fúria reprimida, a decepção mascarada, a desilusão comprovada, a indignação incapaz e a adrenalina incontrólavel. levaram o celular e a carteira com o rg.

[]"O caminho do 'servo' é encontrado na morte (...). Se uma pessoa tem o coração preparado todas as manhãs e tardes para viver como se seu corpo já estivesse morto, ela ganha liberdade em seu caminho. Toda a sua vida será livre de culpa (...)."

[]pela primeira vez, se entregou de corpo, alma e intenção.. mas pelos motivos errados.

10.7.04

decidi viver, antes de saber pra que.
nada vale tanto a pena se não for intenso. nada é tão perigoso tb. nada vale tanto a pena quanto o perigoso
eu preciso urgentemente comprar uma briga