15.7.09
A expressão "há milênios de distância" prova sem a necessidade da argumentação de Einstein referente à mecânica quântica que o espaço e o tempo são duas faces da mesma moeda. Uma moeda que dobra em si mesma.
15.2.08
eu sou um borrão.
mas um borrão bem mal feito.
pronto para ser apagado e começar de novo.
e ser apagado de novo para começar de novo de novo.
e ser apagado de novo de novo para começar de novo de novo de novo. e ser apagado de novo de novo de novo para começar de novo de novo de novo de novo. e ser apagado de novo de novo de novo de novo para começar de novo de novo de novo de novo de novo.
e ser (...).
mas um borrão bem mal feito.
pronto para ser apagado e começar de novo.
e ser apagado de novo para começar de novo de novo.
e ser apagado de novo de novo para começar de novo de novo de novo. e ser apagado de novo de novo de novo para começar de novo de novo de novo de novo. e ser apagado de novo de novo de novo de novo para começar de novo de novo de novo de novo de novo.
e ser (...).
12.12.07
Em defesa do Homem Comum.
Pascal diz que temos de medir o homem não pelo que ele faz de extraordinário, mas pelo que ele faz de comum. De fato, o ordinário é que faz o cotidiano, enquanto que o extra- é a exceção, só acontece uma vez aqui, outra acolá. Extraordinário é quem comete um só ato surpreendente. Comum é o ato que, pela insistência, pode se tornar extraordinário. O Comum tem pouca força se for feito apenas uma vez. Mas existindo só uma vez, ele também não pode ser comum. Pra ser comum, ele precisa ser repetido no cotidiano. Do contrário não seria comum, mas único. E é desse caráter de ser comum, de ser repetido, insistente, que ele extrai sua potência. É por isso que o comum tem mais valor do que o solitário ato extraordinário. Este, tem mais visibilidade do que os outros atos, mas perece em meio a sua vaidade de ser único. É preciso perguntar: o ato extraordinário é feito por outra intenção a não ser a de buscar ser ele próprio extraordinário? Se alguém tem a intenção de executar um ato extraordinário esse alguém parece estar mais preocupado com a satisfação de sua pura vaidade do que com as implicacoes éticas ou sociais que seu ato irá ocasionar. O homem comum transforma o ordinário em extraordinário ao longo de uma vida inteira. O próprio ato extraordinário é fruto de incontáveis, pequenos e invisíveis atos comuns, que o prepararam ao longo de insistentes anos. O extraordinário nao vem de um dia pro outro, nao é acaso. Ou seja, não é por acaso que extraordinário é o homem comum.
Pascal diz que temos de medir o homem não pelo que ele faz de extraordinário, mas pelo que ele faz de comum. De fato, o ordinário é que faz o cotidiano, enquanto que o extra- é a exceção, só acontece uma vez aqui, outra acolá. Extraordinário é quem comete um só ato surpreendente. Comum é o ato que, pela insistência, pode se tornar extraordinário. O Comum tem pouca força se for feito apenas uma vez. Mas existindo só uma vez, ele também não pode ser comum. Pra ser comum, ele precisa ser repetido no cotidiano. Do contrário não seria comum, mas único. E é desse caráter de ser comum, de ser repetido, insistente, que ele extrai sua potência. É por isso que o comum tem mais valor do que o solitário ato extraordinário. Este, tem mais visibilidade do que os outros atos, mas perece em meio a sua vaidade de ser único. É preciso perguntar: o ato extraordinário é feito por outra intenção a não ser a de buscar ser ele próprio extraordinário? Se alguém tem a intenção de executar um ato extraordinário esse alguém parece estar mais preocupado com a satisfação de sua pura vaidade do que com as implicacoes éticas ou sociais que seu ato irá ocasionar. O homem comum transforma o ordinário em extraordinário ao longo de uma vida inteira. O próprio ato extraordinário é fruto de incontáveis, pequenos e invisíveis atos comuns, que o prepararam ao longo de insistentes anos. O extraordinário nao vem de um dia pro outro, nao é acaso. Ou seja, não é por acaso que extraordinário é o homem comum.
11.7.07
27.5.07
4.5.07
Se a linguagem verbal não dá conta de toda a latência de expressividade do indivíduo, temos que deixar de conversa e ir logo fazer amor.
14.4.07
19.2.07
O outro sou eu? Eu sou o outro. O outro tem o meu nome. Tem os meus pais. Tem minha família e meus amigos. O outro tem minha casa, minha comida e minha roupa lavada. Tem os meus clichês também. Tem tudo que eu tenho. Minha experiência e minha existência. Minhas dores. O outro tem. O outro é. O outro é ter ou o outro é ser? A pergunta fundamental da (co)existência. Eu tenho o outro? Ou eu sou o outro?
6.11.06
21.10.06
20.10.06
A lágrima seca não foge do olho. É presa. "Liberta-me!" grita ela. Mas no vácuo. Não a percebem. Nem mesmo as do olho ao lado, "companheiras de categoria!". "Bah, maldito discurso panfletário", ela resmunga pra si. "Esse companheirismo é via de mão única!". "Opa, mas peraí", pára ela de sopetão... Ela não é exatamente só. As outras compartilham com ela não somente a prisão neste espaço-tempo, mas também essa estranha dor imanente a ele.
queria poder ser tragado para o limbo da música que me livra da morte. ficar lá. só isso. ficar e sentir. e sorrir.
19.8.05
sobre o outro (ou a falta dele).
[]deixou a taquicardia irrompida, o vazio inexprimível, o grito surdo e a felicidade reminiscente. levou o beijo e o sorriso com ela.
[]o barulho do trem às onze e vinte, as vozes dos garis no caminhão à meia noite, e o apito do guardinha à noite inteira apaziguavam o medo do escuro e preparavam um sono tranquilo.
[]eu tenho medo de ler gabriel garcia márquez porque temo chegar aos cem anos de solidão.
[]deixou a taquicardia irrompida, o vazio inexprimível, o grito surdo e a felicidade reminiscente. levou o beijo e o sorriso com ela.
[]o barulho do trem às onze e vinte, as vozes dos garis no caminhão à meia noite, e o apito do guardinha à noite inteira apaziguavam o medo do escuro e preparavam um sono tranquilo.
[]eu tenho medo de ler gabriel garcia márquez porque temo chegar aos cem anos de solidão.
9.5.05
7.5.05
16.12.04
19.10.04
14.10.04
..algumas coisas que me valeram o dia nesses últimos dias:
.vestir umas meias especiais no meu avô como ninguém e, a cada bem-sucedida troca, ser tremendamente reconhecido por isso.
.beijar de surpresa a mão de uma pessoinha muito amada e poder ver um sorriso lindo e espantado se construir lenta e espontaneamente como reação.
.ter a quem acordar de madrugada depois de um assalto para ouvir atentamente mil palavras sujas de um desabafo inflamado e imaturo. por mais de duas horas.
.encontrar uma amiga do nada, passar o dia com ela, caminhando e papeando compulsivamente, e ainda ter achado que não deu tempo pra falar de tudo. e perder uma consulta no médico por isso.
.vestir umas meias especiais no meu avô como ninguém e, a cada bem-sucedida troca, ser tremendamente reconhecido por isso.
.beijar de surpresa a mão de uma pessoinha muito amada e poder ver um sorriso lindo e espantado se construir lenta e espontaneamente como reação.
.ter a quem acordar de madrugada depois de um assalto para ouvir atentamente mil palavras sujas de um desabafo inflamado e imaturo. por mais de duas horas.
.encontrar uma amiga do nada, passar o dia com ela, caminhando e papeando compulsivamente, e ainda ter achado que não deu tempo pra falar de tudo. e perder uma consulta no médico por isso.
e, por um momento, ele mata seus irmãos de rir, antes de voltar a ser uma pedra. e nos dá a esperança de que, um dia, a pedra conte outra piada. e mais outra. e mais outra. até que ela não seja mais uma pedra e volte a ser meu irmão.
13.10.04
12.10.04
22.9.04
21.9.04
.e lembrou que ele queria ser gari. pra poder brincar tarde da noite na rua, aventurar-se por lugares desconhecidos e sombrios, e correr e pular do caminhão de lixo em movimento
2.9.04
.nunca bebi, nunca fumei, nunca usei seringa, nunca cheirei pó, nunca dancei de verdade, nunca brinquei carnaval, nunca fiquei só por ficar, nunca me fantasiei, nunca pintei a cara no jardim de infância, nunca joguei futebol, nunca viajei pra longe, nunca ganhei muita grana, nunca me entreguei a religião, nunca andei grandes distâncias, nunca li muitos livros, nunca passei necessidade, nunca abracei meu irmão, nunca odiei de verdade e já feriram meu ego, já o massagearam, já pratiquei kung-fu, nunca usei contra ninguém (não é totalmente verdade), já chorei ouvindo música, já falei com o sol, já falei com a lua, já falei com o mar e com uma estrela que eu achava q era meu pai que me olhava de tanto que eu queria que fosse, já me arranhei com um cachorro numa duna gigante, já ouvi uma história sobre um cara que foi atropelado por um anão fantasiado de bailarina numa bicicleta, acreditei, já amei de verdade, já sofri de verdade, já senti dor de acordar no meio da noite e de me meter nos sonhos alheios, já olhei perdido por alguns instantes, infinitos, já diverti alguns, já ri de muitos, já me acabei de rir de poucos, já sorri, mas de muito, muito poucos, já venci muitos medos, já ganhei um festival, já ouvi, mas sem intermédios: violino, gaita, bateria, baixo, guitarra, piano, kalymba, atabaque, berimbau, violoncelo, viola, saxofone, rabeca, pífano, flauta, acordeom, cavaquinho, triângulo, kazoo, cravo, canto, bandolim, cuíca de madeira, teclado de brinquedo, estante do computador e puff da sala, já experimentei: violino, gaita, bateria, baixo, guitarra, piano, kalymba, cavaquinho, triângulo, kazoo, bandolim, cuíca de madeira, teclado de brinquedo, estante do computador, puff da sala e corda da rede, já sofri ameaça, não liguei, já defendi, já protegi, já aconselhei, já desaconselhei, já perdi o controle, já restabeleci, já vivi, ou ainda não? Acho que ainda não, mas já entendi o que é o tango
30.7.04
impressões sobre uma sexta-feira violenta.
[]deixaram o ego inflamado, a fúria reprimida, a decepção mascarada, a desilusão comprovada, a indignação incapaz e a adrenalina incontrólavel. levaram o celular e a carteira com o rg.
[]"O caminho do 'servo' é encontrado na morte (...). Se uma pessoa tem o coração preparado todas as manhãs e tardes para viver como se seu corpo já estivesse morto, ela ganha liberdade em seu caminho. Toda a sua vida será livre de culpa (...)."
[]pela primeira vez, se entregou de corpo, alma e intenção.. mas pelos motivos errados.
[]deixaram o ego inflamado, a fúria reprimida, a decepção mascarada, a desilusão comprovada, a indignação incapaz e a adrenalina incontrólavel. levaram o celular e a carteira com o rg.
[]"O caminho do 'servo' é encontrado na morte (...). Se uma pessoa tem o coração preparado todas as manhãs e tardes para viver como se seu corpo já estivesse morto, ela ganha liberdade em seu caminho. Toda a sua vida será livre de culpa (...)."
[]pela primeira vez, se entregou de corpo, alma e intenção.. mas pelos motivos errados.
10.7.04
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